Família Bahia Vianna

História dos Bahia Vianna, de Pedro Leopoldo, MG


1 comentário

Mário da C. Vianna

Mário da Conceição Vianna nasceu em 8 de Dezembro de 1892 em Pedro Leopoldo, MG. Era filho de Francisco de Paula da Fonseca Vianna e Laurinda Carolina Vianna (originalmente de Souza). Seu pai tinha um tio com o mesmo nome, que se tornou Visconde do Rio das Velhas.

Mário Vianna por volta dos 23 anos de idade.

Mário Vianna por volta dos 23 anos de idade.

Tempos de Mudanças

Os anos em torno do nascimento de Mário foram anos de grandes mudanças na região, ainda parte da Freguesia de Matosinhos, Distrito de Santa Luzia. Apenas quatro anos antes, em 13 de Maio de 1888, havia sido proclamada a Lei Áurea, libertando os escravos que formavam a base da mão de obra usada nas fazendas da região. Em seguida, a Proclamação da República, em 15 de Novembro de 1889, pôs fim ao Império, e mudou a estrutura administrativa do país. Em Fevereiro de 1893 faleceu o Visconde do Rio das Velhas, tio-avô de Mário que tinha o mesmo nome que seu pai [1]. Já então o lugarejo deixava o marasmo dos tempos Imperiais e começava a se movimentar com os ventos do progresso. Em Setembro de 1893 foi fundada a Companhia Fabril Cachoeira Grande, fábrica de tecidos em que o pai de Mário, Nhô Chico, se tornou diretor. A fábrica foi construída onde antes havia a Fazenda da Cachoeira Grande, em que residiram três moças da família Moreira da Silva, de quem descendia Brígida Honorina Gonçalves Moreira da Silva, avó paterna de Mário. Dois anos mais tarde, seria inaugurada a Estação Ferroviária em terrenos doados pelos fundadores da fábrica. Era responsável pela construção daquele trecho o engenheiro Pedro Leopoldo. Com seu falecimento, o nome da estação foi modificado em sua homenagem, e o lugar passou a ser conhecido pelo nome do engenheiro.

Recorte de jornal mostrando a Ata de Constituição da Companhia Fabril Cachoeira Grande (n1)

Recorte de jornal mostrando a Ata de Constituição da Companhia Fabril Cachoeira Grande (¹)

Nascimento e Infância

O documento que encontramos a respeito do nascimento de Mário data de 1938, onde ele mesmo é o declarante, aos 45 anos de idade, tendo por testemunhas o irmão, Sócrates Colaro Vianna e Nelson Belisário Vianna. Teria se perdido o original? Como já mencionamos, os anos em torno do seu nascimento foram anos confusos, em que a administração estava em transição.

O nome já havia sido planejado antes do nascimento. Em tempos em que não havia ultra-sonografia que determinasse o sexo dos bebês, mas sabendo que a criança nasceria próximo do dia de Nossa Senhora da Conceição, já estava combinado que se fosse menina, se chamaria Maria da Conceição. Nasceu um menino, que ficou com o nome de Mário. Ele não gostava do nome do meio, e por isso assinava Mário da C. Vianna. [4]

Certidão de Nascimento de Mário da Conceição Vianna

Certidão de Nascimento de Mário da Conceição Vianna (²)

A família Fonseca Vianna tinha tradição na região, e participou da fundação da fábrica de tecidos e da cidade. A saga dos Vianna, descendentes de Bernardo de Souza Vianna, está descrita em detalhes por Eduardo de Paula em seu Sumidoiro’s Blog [3]. O bisavô, José de Souza Vianna, foi senhor de muitas terras e escravos, mas duas gerações de proles numerosas, seguidas da perda de valor dos grandes latifúndios ocorrida com a abolição da escravatura resultaram em um pequeno quinhão para seu pai.

Sobre os pais de Mário, sabe-se pouco. Francisco de Paula, Nhô Chico, tornou-se diretor da fábrica de tecidos fundada alguns meses depois do nascimento de Mário. Há também indícios de que era proprietário da Fazenda do Campinho, em Santa Luzia, MG. Há versões controversas de como Nhô Chico dispôs de sua herança: Teria vendido as terras para educar os filhos, ou trocado por quase nada, para alimentar seus cavalos. Pouco se sabe também das origens de Laurinda Carolina. Teria sobrenome Souza quando solteira. Na Certidão de Nascimento de Mário constam os avós paternos, mas não os maternos. Em seus relatos sobre a família, Miloca, esposa de Mário, dizia que Laurinda era muito religiosa, e ajudou a construir a primeira Igreja de Pedro Leopoldo [2].

Nhô Chico e Laurinda em Janeiro/1907 (imagem cedida por Carlos Aníbal Fernandes de Almeida [1])

Nhô Chico e Laurinda em Janeiro/1907 (imagem cedida por Carlos Aníbal Fernandes de Almeida [1])

Quanto aos irmãos, eram Guiomar, Joaquim, Sócrates e Cyro. No assento de óbito de Nhô Chico, se sabe que o mesmo deixou cinco filhos vivos [1]. Não há informação sobre a data de nascimento de todos, mas se sabe que Guiomar e Joaquim de Paula Vianna, Quincota, eram cerca de dez anos mais velhos que Mário. Já Cyro seria o irmão mais novo.

Vida Adulta

Mário era organizado, e possuía uma caderneta onde mantinha registro dos aniversários de parentes e amigos, além de outras anotações. É lá que vamos buscar algumas informações sobre sua vida.

mario_notas_01

Caderneta de Notas de Mário

Desde rapaz, gostava de caçadas, cães e cavalos. Seu gosto por estas atividades ficou registrado na lista de seus objetos pessoais. Na mesma página constam outras informações, como seu cargo na Estrada de Ferro Central do Brasil, situação militar e eleitoral.

Notas sobre armas e documentos de Mário Vianna

Notas sobre armas e documentos de Mário Vianna (³)

As notas de Mário nos informam que em 1910 o rapaz estava no Paraná, onde comprou um revólver. Participava nesta época, junto com o irmão Quincota, da construção de uma estrada de ferro, conforme ilustram fotos de família.

Foto de Mário no Paraná (terceiro em pé, da esquerda para a direita)

Foto de Mário no Paraná (terceiro em pé, da esquerda para a direita)

Nas notas, Mário também menciona uma espingarda L. Vendrix.

Capa de catálogo mostrando armas semelhantes às que Mário possuía

Capa de catálogo mostrando armas semelhantes às que Mário possuía

Irmãos Vianna

Foto dos irmãos Vianna, mostrando Mário com sua espingarda

Em Setembro de 1912 faleceu Nhô Chico (⁴). Mário tinha 20 anos e neste mesmo ano foi admitido como funcionário da Estrada de Ferro Central do Brasil, onde permaneceu até seu falecimento (ver Post – O Casamento). Ao final da carreira, já era Chefe de Escritório.

Em 1915, Mário se casou com Maria Emília Gonçalves Bahia (Miloca), e com ela teve oito filhos, nascidos entre 1919 e 1930. Era pai rigoroso, e temido pelos filhos. Mesmo assim, as crianças aprontavam suas artes. Quando Miloca fazia goiabada, deitava o doce em uma gaveta, de onde tirava fatias para servir de sobremesa. Inconformados com seu quinhão, os meninos abriam a gaveta até o fim e iam tirando pedaços de trás para a frente. Quando percebiam que o feito seria descoberto, incitavam o irmão mais novo, Elísio, a mostrar sua coragem, e assumir sozinho a autoria da travessura. Elísio assim o fazia, e levava uma grande surra [2].

Mário passava muito tempo ausente de casa, ocupado com suas caçadas, o que suscitava queixas e ciúmes de Miloca. Conta-se que tinha um cão que aprendeu a pegar seus chinelos, quando solicitado, e que ia à venda para pegar pequenas encomendas. O dinheiro ia preso à coleira, e só podia ser retirado pelo vendedor quando a mercadoria estivesse entregue, colocada na cestinha que carregava. Mário tinha também muitos passarinhos, e os filhos cuidavam das gaiolas. Certa vez, o filho Elísio confundiu a garrafa de soda cáustica, usada na limpeza, com leite. Virou a garrafa na boca, e sofreu sérias queimaduras na garganta [2].

Quando os filhos alcançaram idade escolar, Mário mandou-os para estudar em colégios internos em Minas.

Mário Vianna e família em Julho/1930. Nesta data, Miloca está grávida de Maria Mária, a filha mais nova.

Mário Vianna e família em Julho/1930. Nesta data, Miloca está grávida de Maria Mária, a filha mais nova.

Mário também registrou em sua caderneta o falecimento de Laurinda junto à data se seu aniversário. Na nota se lê: “Agosto … 19 Laurinda C.V. +3/5/38”

Notas de Mário, registrando o falecimento de Laurinda

Notas de Mário, registrando o falecimento de Laurinda

Ainda na caderneta, há anotações sobre um Certificado de Exceção Militar, datado de Dezembro de 1938. Nesta época, o Brasil estava sob o governo de Getúlio Vargas, e Minas Gerais acabara de sofrer uma derrota em sua tentativa de se tornar independente do Brasil e criar sua própria constituição. Mário passou ao largo destes anos conturbados, e continuou sua vida como civil, mas não ficou longe da política, como se vê no parágrafo seguinte.

Em 8 de Novembro de 1942, ao pular a cerca do escritório onde trabalhava, na E.F.C.B., Mário sofreu um ataque cardíaco e faleceu. No velório, o papagaio de Miloca, que estava acostumado a comícios políticos, viu toda aquela gente e começou a gritar: “Viva o prefeito! Viva o partido!…”. Tiveram que levar a ave para fora da casa [2].

Santinho distribuído no sepultamento de Mário Vianna

Santinho distribuído no sepultamento de Mário Vianna (⁵)

Antes de completar 50 anos de vida, Mário deixou Miloca viúva com sete filhos, alguns ainda na escola. Mária, a mais nova, tinha apenas doze anos. O processo de requerimento de pensão demorou a ser aprovado, e neste intervalo a família passou por dificuldades, e os filhos mais novos acabaram por abandonar os estudos. Os filhos mais velhos estavam em idade de convocação para os combates na Segunda Grande Guerra, e o segundo, Mariozinho, já havia servido na Marinha, mas nenhum deles serviu no combate.

João A.M. Bahia Vianna
Julho/2014

Notas:

(¹) – “Companhia Fabril Cachoeira Grande
Acta da constituição de uma sociedade anonyma que se denomina – Companhia Fabril Cachoeira Grande.
Às onze horas da manhã do dia vinte e três de Setembro de 1893, na Fazenda da Cachoeira Grande, freguezia de Mattosinhos, município e comarca de Santa Luzia do Rio das Velhas, reunidos os cidadãos abaixo assignados, foi acclamado presidente da reunião o tenente coronel João Alves Ferreira da Silva, o qual tomando assento à mesa, convidou para servirem de 1º e 2º secretários Cândido da Fonseca Vianna, e Antônio Miguel de Cerqueira, os quais também tomaram assento.

Entrando em discussão, foram unanimemente approvados, sendo pois este estatuto pelo qual se regerá a dita sociedade hoje constituída, pelo presidente foi dito que estando approvado o estatuto da sociedade, devia-se em observância ao art.15 do mesmo estatuto, proceder à eleição de 3 directores e commissão fiscal composta de três membros; procedendo-se a eleição, foram eleitos por maioria de votos directores tenente-coronel João Alves Ferreira da Silva, Américo Teixeira Guimarães e Francisco de Paula Fonseca Vianna, e supplentes Antônio Alves Ferreira da Silva Mello, Antônio Alves Ferreira, José Gonçalves da Costa, José Gonçalves da Silva, Francisco de Assis Fonseca Vianna, Antônio Dias Torres, Francisco Gonçalves Rodrigues Lima e Izidro Barbosa Nogueira.
Comissão fiscal: os sócios Antônio Dias Torres, Antônio Miguel de Cerqueira e Pedro Alves dos Santos Vianna. Também por maioria de votos foi eleito gerente da companhia o sócio Antônio Alves Ferreira da Silva Mello. …”

(²) – “República dos Estados Unidos do Brasil
Registro Civil da cidade de Pedro Leopoldo
Nascimento n.135
Raimundo Gonçalves, Escrivão de Paz e Oficial do Registro Civil da cidade de Pedro Leopoldo, Estado de Minas
Certifico que à fl.12 do livro n.2 de registros de nascimentos foi registrado hoje o assento de Mário da Conceição Vianna nascido aos (8) oito de dezembro de (1892) mil oitocentos e noventa e dois, em domicílio em Pedro Leopoldo, do sexo masculino, de cor —, filho legítimo de Francisco de Paula Fonseca Vianna e de D. Laurinda Carolina Vianna sendo seus avós paternos Cândido da Fonseca Vianna e D. Brígida Vianna.
Foi declarante Mário da Conceição Vianna e serviram de testemunhas Nelson Belisário Vianna e Sócrates Colaro Vianna.
O referido é verdade e dou fé.
Pedro Leopoldo, 27 de outubro de 1938
(ass) Raimundo Gonçalves”

(³) – “Objetos
Revolver S.W. (Smith Wesson) n.172717 – Cão coberto, cabo de madrepérola – adquirido em 1910 Paraná
Espingarda L.Vendrix & Cia – Liege – Belgique n.1420 – peso total 2,415Kg (c/correia); peso do cano 1,166Kg – adquirida no Rio em 2/3/1931.
Relógio Cima 631-4250-1337 chapeado

Escriturário F – Chefe de escritório em 27/8/941 – …
Matrícula na E.F.C.B. n.72326/1938

Título de Eleitor n.5 106ª Zona – 22/2/1933 – Juiz Nestor Ribeiro da Luz

Exceção Militar – Certificado n.2135 de 10/XII/1938 da 7ª Circunscrição – B. Horizonte (a) João de Carvalho – 2º Tenente” [6]

(⁴) – Certidão de Óbito de Francisco de Paula Fonseca Vianna gentilmente cedida por Carlos Aníbal Fernandes de Almeida [1]. A cópia foi obtida em 20 de Janeiro de 2014 no Cartório de Registro Civil de Pedro Leopoldo. Dados relevantes: “Nome: Francisco de Paula Fonseca Vianna; Matrícula 0360380155 1912 4 00001 060 0000024 97; com 57 anos de idade; Data de falecimento: Dezesseis de Setembro de mil novecentos e doze às 2:00 horas; 16/09/2012; Local: Em domicílio em Pedro Leopoldo – MG; Causa da Morte: Congestão Cerebral; Sepultamento: Cemitério de Pedro Leopoldo; Declarante: Alípio Vianna Romanelli; Observações: Era casado com a Sra. Laurinda C. Vianna. Deixou 5 filhos. Quanto à existência de bens para inventário, não conseguimos observar no texto em exame a respectiva anotação.”

(⁵) – “Mario Vianna
falecido a 8 de Novembro de 1942, aos 49 anos de idade em Pedro Leopoldo

O dever antes de tudo; acima de tudo o dever!
(ilegível, parece dizer ser a frase acima o seu lema)
A retidão do seu caráter e a bondade do seu coração o tornavam querido de quantos o conheciam. Estava sempre disposto a servir aos que o procuravam.
…”

Referências

[1] – ALMEIDA, Carlos Aníbal Fernandes de – Notas Genealógicas e documentos do Espaço Cultural Nilde Fernandes
[2] – MOREIRA, Maria Laura – Relatos gravados em arquivos MP3
[3] – PAULA FILHO, Eduardo Vianna de – Sumidoiro’s Blog em sumidoiro.wordpress.com
[4] – VIANNA, Ângela M. B. Bahia – Relatos por e-mail e documentos de família
[5] – VIANNA, João A. M. Bahia – Memórias de conversas com seu pai e seus tios
[6] – VIANNA, Mário da Conceição – Anotações pessoais

 

Anúncios


4 Comentários

O Casamento

 

A história dos Bahia Vianna se formou através do casamento de Mário e Miloca.

 

A foto abaixo, montada a partir de fotografias da época, é conhecida dos netos do casal, pois sempre esteve pendurada na sala da casa de Miloca.

Image

Mário da Conceição Vianna era filho de Francisco de Paula da Fonseca Vianna e Laurinda Carolina de Souza. O pai de Mário, Nhô Chico, tinha o mesmo nome que o tio, o Barão do Rio das Velhas. Nasceu a 8 de Dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, fato que ficou gravado em seu nome.

Miloca nasceu Maria Emília Gonçalves Bahia, filha mais nova de Cândido Gonçalves dos Reis e Anna Alvarenga Bahia. Foi criada na Fazenda da Cachoeira, em Maravilhas, MG. Quando a menina alcançou treze anos, sua mãe contratou para ela um noivado por carta. Miloca ficou muito aborrecida, e quando chegou a notícia de que o rapaz viria para conhecer a noiva e oficializar o noivado, disse que não se casaria. Foi preciso desmanchar o noivado, e Miloca passou longos anos solteira. Já quando a moça se interessou por Mário Vianna, a mãe e os irmãos mais velhos não aprovaram o namoro, pois o jovem era dado à boemia. Miloca então namorava na casa do irmão, Sô Quim (Joaquim Gonçalves Bahia), até que obteve o consentimento e se casou com Mário.

Deixemos que o próprio Mário nos conte sua história, pois, muito metódico, costumava fazer anotações e cópias dos documentos importantes na sua vida.

Preparando-se para o compromisso de iniciar uma nova família, Mário conseguiu um emprego na Estrada de Ferro Central do Brasil. Esta é uma anotação sobre um requerimento de promoção:

Image

“Ao Sr. Dr. Sub Director
O Sr. Mário da Conceição Vianna foi admittido nesta Residencia, como servente de 2a classe interino com a diária de 4,000 em 10 de 10bro de 1912; passou a effectivo em 1 de Outubro de 1914 e foi promovido a servente de 1a classe com a diária de 5,000 em 1 de Outubro de 1915 cujo logar ainda exerce. É empregado cuidadoso, conhece o serviço e merece o que pede no presente requerimento.
Pedro Leopoldo 1-9-1919.
(a) F Bueno
???
Em requerimento de 31/8/99 pediu promoção a Escrevente”

O casamento foi realizado em 8 de Maio de 1915. Foram testemunhas Adolpho Herbster Júnior e Joaquim Gonçalves Bahia, o primeiro, cunhado de Mário, casado com sua irmã Guiomar, e o segundo, irmão de Miloca, e cupido desta união. Esta é a cópia que fez da sua certidão de casamento:

Image

 

Image
“Cópia da certidão de meu casamento.

Raymundo Gonçalves, Escrivão de Paz Interino e Official do Registro Civil da Cidade de Pedro Leopoldo, Commarca de Sta. Luzia, Estado de Minas Gerais

Certifico que revendo os meus livros de Registro Civil de casamentos, encontrei às páginas cento e um do primeiro livro o termo n. duzentos e cinco, do seguinte theor: às quinze horas do dia (8) oito do mez de Maio do anno de mil e novecentos e quinze (8-5-915), neste districto de Pedro Leopoldo, Commarca de Santa Luzia, Estado de Minas Geraes, em casa de residencia de D. Anna Gonçalves Bahia, à Rua Ferreira e Mello, na sede deste Districto, apresento o cidadão José Alves Horta, segundo Juiz de Paz deste Districto, com jurisdição plena do primeiro Juiz de Paz e presidente dos casamentos neste Districto, commigo escrivão de seu cargo, abaixo nomeado e assignado e as testemunhas Doutor Adolpho Herbster Júnior, casado, com quarenta e quatro annos de idade, engenheiro residente da Estrada de Ferro Central do Brazil, residente neste Districto e Joaquim Gonçalves Bahia, casado, com quarenta e treis annos de idade, negociante e aqui também residente, na presença das quaes receberam-se em matrimônio Mário da Conceição Vianna e Maria Emília Gonçalves Bahia, ambos brasileiros, solteiros e residentes neste Districto, o nubente é natural de Pedro Leopoldo, empregado na Estrada de Ferro Central do Brasil, com vinte e treis annos de idade e filho legítimo de Francisco de Paula Fonseca Vianna, aqui fallecido e Laurinda Carolina Vianna, residente na cidade de Bello Horizonte e a nubente é natural de Maravilhas do Município de Pitanguy, neste Estado, com vinte e seis annos de idade, vive em poder de sua mãe, de cujas economias subsiste e é filha legítima de Cândido Gonçalves dos Reis, já fallecido e Anna Gonçalves Bahia, aqui residente. Dizem não serem parentes e se casam sob o regimem de communhões de bens. Em firmeza do que se fez o presente termo que vae assignado pelo Juiz presidente do acto, pelos nubentes, pelas testemunhas, por todos os presentes que o quiserem assignar e por mim Belmiro Ferreira Santos, escrivão de paz que o escrevi e o li em alta voz perante todos e dou fé. (ass.) José Alves Horta – Maria Emília Gonçalves Bahia – Mário da Conceição Vianna – Adolpho Herbster Júnior – Joaquim Gonçalves Bahia – Guiomar Vianna Herbster – Conceição França Bahia – Joaquim de Paula Vianna – Alípio Vianna Romaneli – Ottoni Alves Ferreira da Silva – Adelino Murci, Cefiza Pereira Vianna – Laurinda Carolina Vianna – Nelson Belisário Vianna – Cyro José Vianna – Henriqueta Vianna Herbster – Manoel da Cunha Filho – Maria C. Vianna Herbster – Izolina Vianna Romanelli – Belmiro Ferreira Santos. Era tudo o que continha no termo que fielmente copiei e dou fé.
Pedro Leopoldo, 20 de Setembro de 1929″

Deste casamento nasceram nove filhos, os Bahia Vianna: Francisco, Rivadávia, Mário, Caio, Raymundo, Cândido, Geraldo, Elísio e Maria Mária. Destes, Francisco faleceu antes de Rivadávia nascer e Cândido faleceu ainda criança. Os outros sete nos legaram uma grande família cheia de histórias que contaremos em outros artigos.

mario_notas_22

“Família (idade)

  • Riva – 2/9/917 – (23h45)
  • Mariozinho – 1/1/1919 – (4h12)
  • Caio – 16/X/1922 – (14h10)
  • Mundinho – 13/3/1924 – (3) 4h30
  • Geraldo – 11/1/1927 – (19h30)
  • Elísio – 3/5/1928 – ? (9 horas)
  • Mária – 22/12/930 – (22/12/30)
  • Miloca – 28/5/1889″

 João Bahia Vianna

Referências:

MOREIRA, Maria Laura de Salles – Relatos em arquivos MP3
VIANNA, Mário da Conceição – Anotações pessoais