Família Bahia Vianna

História dos Bahia Vianna, de Pedro Leopoldo, MG


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A Família de Mário

Mário da Conceição Vianna era descendente dos Souza Vianna, família sobre a qual Eduardo de Paula [1] realizou extensas pesquisas, que publicou no seu blog: Sumidoiro’s Blog. Neste artigo, acrescentamos informações sobre os familiares que vão dos filhos de José de Souza Vianna até os irmãos de Mário, passando também pela família Moreira da Silva.

Ascendentes de Mário da Conceição Vianna

Ascendentes de Mário da Conceição Vianna

Os Irmãos

Mário teve quatro irmãos: Guiomar, Joaquim de Paula (Quincota), Sócrates Colaro e Cyro José. Todos tiveram algum vínculo com a Estrada de Ferro Central do Brasil (E.F.C.B.). Adolpho Herbster, marido de Guiomar, era engenheiro residente, e foi responsável pelo trecho de Cordisburgo em 1908. Os outros irmãos foram funcionários da E.F.C.B. Na geração anterior, terrenos da família haviam sido cedidos para construção do trecho da estrada de ferro que passava por Pedro Leopoldo.

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Irmãos Vianna. Cyro José, Mário da Conceição, Sócrates Colaro, Guiomar e Joaquim de Paula. Sentadas, estão as respectivas esposas, e, por último, a mãe, Laurinda Carolina.

 

Guiomar Vianna era a mais velha, nascida em 1 de Setembro de 1881 e falecida em 28 de Abril de 1961, em Belo Horizonte, MG  [11] (q.19 c.325 Cemitério do Bonfim). Casou-se com Adolpho Herbster Júnior, nascido em 16 de Outubro de 1871. Do casamento, nasceram Rodolpho Vianna Herbster e Rita Vianna Herbster. Adolpho faleceu antes de Setembro de 1931, quando seus filhos passaram a receber montepio civil.

Segue o texto da concessão do montepio: Diário Oficial, 31 de Agosto de 1931 – Ministério da Fazenda, Processos de Concessão – “De montepio civil a Rodolpho Vianna Herbster, filho do Dr. Adolpho Herbster Júnior, engenheiro residente da Estrada de Ferro Central do Brasil e de apostila feita no título de D. Rita Vianna Herbster, filha do mesmo engenheiro, por ter sido admitido o referido menor a partilha da pensão.”
Adolpho Herbster Júnior, Rita Vianna Herbster e Guiomar Vianna

Adolpho Herbster Júnior, Rita Vianna Herbster e Guiomar Vianna

Joaquim de Paula Vianna (Quincota) nasceu em 14 de Setembro de 1882 e faleceu em 19 de Fevereiro de 1940 [22] (Caderneta de Aniversários de Mário). Participou da construção de trechos da estrada de ferro no Paraná em 1911, conforme registrado em fotos de família. Não se tem notícia de que tenha deixado descendentes.

Joaquim de Paula Vianna no Paraná, em 1911

Joaquim de Paula Vianna no Paraná, em 1911

Sócrates Colaro Vianna casou-se com Cefisa Pereira, filha de Pedro Maria Pereira e Antônia Benigna de Andrade [21]. Deste casamento nasceu um único filho, Astor Pereira Vianna, nascido em 10 de Julho de 1909. Astor deixou descendentes em Conselheiro Lafayete, MG, onde há um cartório que ainda é administrado por membros da família. Os sogros de Astor eram Joaquim Alves dos Santos Vianna e Joaquina Cândida de Souza Vianna, esta última, filha de José de Souza Vianna. Uma publicação no Diário Oficial de 14 de Março de 1911 (página 18) refere-se a exames admissionais de Sócrates para cargo na E.F.C.B. O casal fez bodas de ouro ainda residindo em Pedro Leopoldo.

Sócrates Colaro Vianna

Sócrates Colaro Vianna

Cyro José Vianna era o irmão mais novo. Casou-se com Maria da Fonseca, e deste casamento nasceram três filhos: Teresa, Francisco e Hermann, sendo que este último nasceu em 28 de Julho de 1936. Cyro aposentou-se pela E.F.C.B. em 26/11/1957 (D.O. de 28/01/1958 pág. 19). Cyro residiu no Rio de Janeiro e, depois de aposentado, retornou a Pedro Leopoldo. Em meados da década de 60, Cyro contraiu uma doença renal que o levou a óbito. Maria viveu ainda por muitos anos em Belo Horizonte, tendo alcançado quase cem anos de idade [4].

Cyro José VIanna e Maria Fonseca

Cyro José VIanna e Maria Fonseca

Pais e Tios

O pai de Mário era Francisco de Paula Fonseca Vianna, conhecido como Nhô Chico. Nasceu por volta de 1855, e faleceu em 16 de Setembro de 1912, deixando cinco filhos e a viúva, Laurinda Carolina de Souza [7] (lv. 2 fl. 13 n. 135 Pedro Leopoldo, MG). Laurinda faleceu em 3 de Maio de 1938, três anos antes do filho Mário [22]. Sobre ela, sabe-se pouco. Conta-se que era muito religiosa, e ajudou nas obras da igreja de Pedro Leopoldo.

Nhô Chico e Laurinda em Janeiro/1907 (imagem cedida por Carlos Aníbal Fernandes de Almeida [1])

Nhô Chico e Laurinda em Janeiro/1907 (imagem cedida por Carlos Aníbal Fernandes de Almeida [1])

Nhô Chico foi diretor da Companhia Fabril Cachoeira Grande (cf. ata de fundação de 1893 e ação emitida em 1897). Possuiu também a Fazenda do Campinho. Seu nome é o mesmo de um tio ilustre, nascido em 2 de Abril de 1815 em Sabará, MG e falecido em 17 de Fevereiro de 1893 em Santa Luzia, MG, que se tornou Barão, e depois Visconde do Rio das Velhas.

Certidão de Óbito de Nhô Chico, obtida através de Carlos Aníbal Fernandes de Almeida

Certidão de Óbito de Nhô Chico, obtida através de Carlos Aníbal Fernandes de Almeida

Um tio de Mário que merece menção é o Coronel Cândido da Fonseca Vianna (Dudu), nascido em 1 de Janeiro de 1857, e falecido em 29 de Abril de 1924, em Pedro Leopoldo, MG [2] (Notas de Maria Iphigênia de Lima Fernandes). Dudu tinha o mesmo pré-nome do pai (avô de Mário). Obteve concessão para construção de Engenho de Açúcar em Sete Lagoas, MG, tendo como sócios Caetano Mascarenhas e Francisco Domingos Gontijo, mas esta caducou em 1894 sem que a construção tivesse sido concluída (Decreto n.1.814, de 22 de Setembro de 1894). Do casamento do Coronel Cândido com Laura Ernestina Gonçalves Moreira, nasceu em 1891 um filho de nome Gentil Vianna [2], que viria a se casar com Madalena Diniz. Gentil era padrinho de Romário Vianna de Mello, neto de Mário. Gentil visitava Miloca e a comadre, Mária Vianna, regularmente até a década de 70 (informações fornecidas por Romário Vianna de Mello e Maria Cândida Vianna, neta de Gentil).

Para complicar um pouco mais a genealogia dos Vianna, um primo de Mário também recebeu o nome do avô: Cândido da Fonseca Vianna Sobrinho, nascido em 14 de Outubro de 1881 em Lagoa Santa, MG [10] (lv. 1875/1889 fl. 158), e que foi prefeito de Matozinhos em 1944.

Um outro primo de Mário, Guilhobel Vianna (Guili), teve um filho de nome Ângelo (Gilu), cuja família manteve muitos laços de amizade com os Bahia Vianna.

Os Avós e Bisavós

Não se sabe dos pais de Laurinda. Os pais de Nhô Chico foram Cândido José e Brígida Honorina.

Cândido José de Souza Vianna foi batizado em 5 de Agosto de 1819 na Fazenda dos Maçaricos, Santa Luzia, MG [10] (lv. 1818/1825 fl. 12v Lagoa Santa, MG), e faleceu entre 1871, em que foi padrinho em um batizado, e 1879, em que ocorreu o casamento de seu filho – Luiz Augusto da Fonseca Vianna. Cândido herdou a Fazenda do Sumidouro, e quando se casou mudou-se para a Fazenda da Palestina. Cândido era irmão gêmeo de José de Souza Vianna Júnior, que herdou a Fazenda dos Maçaricos, berço de muitos Souza Vianna.

Batizado de Cândido e seu irmão gêmeo, José:  “Aos cinco de Agosto de mil oitocentos e dezenove na Capella de Nossa Senhora do Valle de Massaricos o Reverendo Coadjutor José Soares Dinis baptizou e pos os Santos Olleos a Cândido innocente gemio filho legítimo de José de Souza Vianna e de Dona Maria Cândida da Assumpção; forão padrinhos Bernardo de Souza Vianna Mosso e Dona Theodora Luiza da Piedade de que se fez este assento que assigno. O C Alexandre Gomes …”    “Aos cinco de Agosto de mil oitocentos e dezenove na Capella de Nossa Senhora do Valle de Massaricos o Padre Manoel Antônio de Freitas Caldas de licença Parochial baptizou e pos os Santos Olleos a José innocente gemio filho legítimo de José de Souza Vianna e de Dona Maria Cândida da Assumpção; forão padrinhos O Capitão Manoel d’Affonsecca Ferreira e Dona Joaquina Claudina de Santa Ritta de que se fez este assento que assignei. O C. Alexandre Gomes …”
Batismos de Cândido e José

Batismos de Cândido e José

Casamento de Luiz Augusto da Fonseca Vianna, em que Cândido é mencionado como falecido: “Aos vinte e oito de Junho de mil oitocentos e setenta e nove na Capella da Fazenda do Engenho, em minha presença e das testemunhas; Joaquim Cláudio de Salles, e José Pereira da Costa, receberão se em Matrimônio Luiz Augusto da Fonseca Vianna e Anna da Assumpção, aquelle filho legítimo de Cândido José de Souza Vianna já falecido e Brígida da Silva Moreira e esta filha legítima de Joaquim Dias da Silva e Maria Cândida da Assumpção forão dispensados do impedimento de consanguinidade no 3o grau ??? ao 2o. O Vigário Odorico Antônio Dolabella”
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Brígida Honorina Gonçalves Moreira da Silva foi batizada em 21 de Outubro de 1827 na Capela do Fidalgo, Lagoa Santa, MG [10] (lv. 1823/1843 fl. 184). Recebeu o nome em memória da avó, Brígida Moreira da Silva, que faleceu poucos meses depois do seu nascimento. A mãe de Brígida se chamava Perpétua Moreira da Silva. Seu pai, Francisco Fidélis da Silva, parece ter sido administrador da Fazenda da Cachoeira Grande. A fazenda também teria o nome de Fazenda da Cachoeira das Três Moças, referindo-se a três moças da família Moreira da Silva que residiam na mesma. Esta fazenda foi hipotecada para pagar dívidas de jogo, e não permaneceu na família, tendo sido mais tarde arrematada por Antônio Alves Ferreira da Silva, que usou a força da cachoeira para mover as máquinas da fábrica de tecidos da Cachoeira Grande.

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Batizado de Brígida: “Aos vinte e hum dias do mês de Outubro de mil oitocentos e vinte e sete annos na Capella do Fidalgo desta Freguezia da Lagoa Santa o Padre Antônio de Souza Camargo baptizou e pôs os Santos Óleos a Brígida párvola filha legítima de Francisco Fidélis da Silva e Dona Perpétua Moreira da Silva; forão padrinhos o Capitão Manoel Gonçalves Pinto e sua filha Dona Francisca Manoella Moreira todos da Freguezia de Matozinhos por licença de cujo Párocho se baptizou. O Vigário Manoel de Almeida Lima”
Batismo de Brígida Honorina

Batismo de Brígida Honorina

É interessante notar que nos filhos de Cândido e Brígida foram abandonados os sobrenomes vindos da mãe (Moreira da Silva), e também o Souza, vindo do pai, em favor do Fonseca, vindo da avó paterna. Adotaram, assim, o sobrenome Fonseca Vianna.

A partir daí, chegamos aos bisavós: José de Souza Vianna e Maria Cândida da Assumpção Fonseca Ferreira, pais de Cândido, cuja história é contada com detalhes por Eduardo de Paula em seu blog.

Outro documento importante é o testamento de Brígida Moreira da Silva, avó de Brígida Honorina, transcrito a seguir:

“Testamento com que falleceo D. Brígida Moreira da Silva nesta Freguesia de N. S. da Saúde da Alagoa Santa aos 15 de Março de 1828
In nomine Domini Amen
Eu Brígida Moreira da Silva filha legítima do Capitão Antônio Moreira Barbosa e de Anna Moreira da Silva natural da Freguesia do Curral de ElRey moradora na Freguesia do Senhor Bom Jesus de Matozinhos do Termo da (Fidelíssima?) Villa do Sabará que achando-me enferma mas em meu perfeito juízo, e temendo-ma da morte ordeno meu testamento, última vondate na forma seguinte. Sou Catholica Romana e professo a Ley de Christo, na qual pretendo viver e morrer. Declaro que sou casada a facie da Igreja com o Capitão Manoel Gonçalves Pinto, de cujo Matrimônio tivemos os filhos seguintes: José, Joaquim, Luís, Francisco, Angélica casada com o Tenente Manoel Pereira Lopes, Venância casada com Antônio de Paula Moreira, Perpétua casada com Francisco Fidélis da Silva, Francisca solteira, Maria solteira, Cândida solteira, Anna solteira, Justina solteira, os quais são meus legítimos e necessários herdeiros das duas partes dos meos bens. Declaro que depois de cumpridos todos os meos legados os remanescentes de minha Terça serão repartidos com igualdade por minhas Filhas Francisca, Cândida, Anna e Justina as quaes instituo minhas herdeiras desta parte, e hé minha vontade que lhes fiquem pertencendo na parte da minha terça as escravas seguintes: Para a minha filha Francisca, Beatriz mestiça; para Cândida, Angélica parda; para Anna, Marianna cabra; para Justina, Umbelina angola, as quaes escravas receberão pelo preço de sua avaliação para haver igualdade na herança de minha terça. Declaro que instituo por meus testamenteiros com livre e geral administração de todos os meus bens em primeiro lugar a meu Marido, Capitão Manoel Gonçalves Pinto; em segundo lugar a meu filho o Alferes José Gonçalves Moreira e em terceiro lugar a meu filho Joaquim Gonçalves Moreira, e ao que aceitar lhe deixo cincoenta mil réis de prêmio. Declaro que o meu funeral e lugar do meu enterro serão (??) a elleição do meu Testamenteiro a que recomendo o maior número possível de Missas de corpo presente de esmola de mil e duzentos. Declaro que logo depois do meu fallecimento o meu Testamenteiro mandará dizer por minha Alma seis (??) de Missas de esmola cada huma de seiscentos e quarenta réis (??) mais cento e cincoenta Missas por minha Alma de esmola de seiscentos réis por Padres da Freguesia de Matozinhos e da Alagoa, tendo a elleição de meu testamenteiro, e serão ditas dentro de hum anno. Declaro que meu testamenteiro dará de esmola a minha affilhada Brígida, filha de Antônio Dias, cem mil réis, quando (tomar?) estado ou tiver vinte e cinco annos de idade, assim mais dará de esmola doze mil réis para o ornato do Altar da Senhora do Porto da Freguesia de Matozinhos. Declaro que deixo o tempo determinado para meu testamenteiro dar contas desta minha testamentária .. lhe levarão em conta todas as despesas que elle jurar fizera a bem da testamentária. E nesta forma tenho feito este meu testamento e última vontade, e peço a Justiça de Sua Magestade o Jurador o fação cumprir como nelle se declarão e se nelle faltar alguma cláusula ou cláusulas em Direito necessárias, aqui as hei por declaradas, e por não saber ler nem escrever pedi e roguei ao Padre Antônio de Souza Camargo que este por mim fizesse e como testemunha se assignasse, e ao Cirurgião Mor Serafim Moreira de Carvalho que por mim se assignasse. Fazenda do Fidalgo, 25 de Outubro de 1827. Assignome a rogo da Testadora Brígida Moreira da Silva – Serafim Moreira de Carvalho. Como Testemunha que este fiz a rogo da Testadora o Padre Antônio de Souza Camargo.
Estava aprovado o dito testamento pelo Tabelião o Capitão Bento José Marianno, e outra vez assignado a rogo da testadora Brígida Moreira da Silva pelo Padre Antônio de Souza Camargo, que tão bem servio de testemunha com Paulo Moreira de Carvalho, Pacífico de Souza de Carvalho, José Telles da Silva e Athanásio Antônio Penha, estando tão bem a assignatura do sobredito Tabelião. E nada mais continha o dito testamento, que aqui copiei: do que tudo afirmo in fide (?rochi). Alagoa Santa 15 de Março de 1828
O Vigário Manoel de Almeida Lima”
 
brigida_testamento_1
 
brigida_testamento_2
 
 

João A.M. Bahia Vianna
Outubro/2014

Fontes:

[1] - Blog: Sumidoiro's Blog
    PAULA, Eduardo de
    sumidoiro.wordpress.com

[2] - Notas Genealógicas: Carlos Aníbal
    ALMEIDA, Carlos Aníbal Fernandes

[4] - Relatos: Maria Laura Moreira (arquivos MP3)
     MOREIRA, Maria Laura de Salles

[7] - Registro Civil: Brasil
    República Federativa do Brasil
    Certidões e registros de identidade
     
[10] - Batismos na Igreja
     Igreja Católica

[11] - Óbitos
     Igreja Católica

[21] - Web Site: Geneaminas
     www.geneaminas.com.br

[22] - Notas Pessoais: Mário Vianna
     VIANNA, Mário da Conceição

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