Família Bahia Vianna

História dos Bahia Vianna, de Pedro Leopoldo, MG

A Família de Miloca

3 Comentários

Maria Emília Gonçalves Bahia (Miloca) descende das famílias Alvarenga Bahia e Gonçalves dos Reis, de Pitangui. Com a ajuda de Rodrigo Figueiredo de Vasconcelos [2] e dos primos da família Bahia Vianna, em especial Mária Vianna de Mello [41] e Ângela Bahia Vianna, pesquisamos seus ascendentes, e contamos aqui uma parte desta história.

Ascendentes de Maria Emília Gonçalves Bahia

Ascendentes de Maria Emília Gonçalves Bahia

Irmãos

Miloca era a mais nova dos nove irmãos que alcançaram a idade adulta: Manoel, Elisa, Joaquim, Cândido, Francisco, Joviniano, Leopoldo, José Josias e Maria Emília. Miloca contava que sua mãe perdera muitos filhos que, deixados aos cuidados de amas de leite, adoeciam e não passavam da tenra infância. Havia ainda, pelo menos três meio-irmãos, filhos do primeiro matrimônio do seu pai, Cândido Gonçalves dos Reis, com Ana Rosa Rodrigues, filha do Padre João Félix Rodrigues Galvão: Benvindo, Antônio e Joaquim.

Os três filhos de Cândido nascidos do primeiro casamento receberam sobrenome Gonçalves dos Reis. Os filhos nascidos do casamento com Anna Alvarenga Bahia receberam o sobrenome Gonçalves Bahia.

Benvindo Gonçalves dos Reis teve um filho a quem deu o nome de Cândido, que assinava como o avô. Deste filho, nascido em 1893, e de Maria do Carmo Valadares Bahia, nascida em 1900 e filha de Manoel Gonçalves Bahia, descende o nosso primo e colaborador Rodrigo de Vasconcelos. Nas palavras de Rodrigo: “talvez importasse anotar que o meu bisavô Cândido, neto do seu homônimo, foi interventor em Pitangui, nomeado por Benedito Valadares (o qual era primo primeiro de Joana Helena, sogra do meu bisavô), e o primeiro prefeito eleito de Papagaios, cujo atual prefeito é seu neto materno, assim como o anterior.”

Através de matrículas no Caraça em 30 de Junho de 1882, em que consta a filiação e a idade dos alunos, chegamos ao ano de nascimento de Antônio Gonçalves dos Reis (Sô Nico, nascido em 1865) e Joaquim Gonçalves dos Reis (1868).

Sobre os Gonçalves Bahia, Mária de Mello contribuiu com uma árvore da família, complementada por anotações feitas por Ângela Vianna no álbum de fotografias de Miloca.

Manoel Gonçalves Bahia, nascido em 1870, casou-se com Joana Helena Valadares de Vasconcelos, nascida em 1873, que era descendente de Joaquina do Pompéu. Aqui se uniram as famílias das duas ilustres senhoras de Pitangui, pois Manoel era bisneto de Maria Tangará.

manoel_g_bahia

Elisa Gonçalves Bahia nasceu em 1871. Como já foi mencionado em outro artigo deste Blog, Elisa casou-se com Ottoni Alves Ferreira da Silva e gerou muitos descendentes, dentre eles pessoas ilustres em Pedro Leopoldo, como o Doutor Christiano Ottoni Gonçalves Ferreira, Francisca Alves Gonçalves Ferreira (Chiquita), casada com Romero de Carvalho Filho (Milu) e o Doutor Elysio Alves Gonçalves Fereira dentre tantos outros. A diferença de idade entre as irmãs fez com que os filhos de Miloca regulassem em idade com os netos de Elisa. Entre eles se formaram grandes amizades, como as de Luciano e Sílvio de Milu, filhos de Chiquita, com Elísio Bahia Vianna.
A casa dos Gonçalves Ferreira ficava na praça Dr. Senra, próxima da Cachoeira Grande, que deu nome à fábrica de tecidos. Elisa viveu mais de 102 anos, e manteve-se lúcida até idade bem avaçada.

Ottoni e Elisa

Ottoni, Elisa e filhos

Joaquim Gonçalves Bahia (Sô Quim) nasceu em 1872. Foi sócio de Otoni Alves Ferreira no armazém que depois se tornou Alves Carvalho e Cia. Joaquim casou-se com Cota França, com quem teve quatro filhos. Com o falecimento desta, casou-se com a irmã, Conceição França, que lhe deu outros quatro filhos, dentre os quais Odete, Alberto e Edith. Sô Quim faleceu em 1948.

Cândido Gonçalves Bahia (Candinho) casou-se com Maria Tavares, que era neta de Antônio Gonçalves dos Reis. Do casamento nasceram oito filhos, entre eles Norma e Ana Elisa, muito amigas de Maria Mária Bahia Vianna. A curiosidade aqui é que os filhos de Cândido tinham duas avós chamadas de Donana – Anna Alvarenga Bahia e Ana Gonçalves dos Reis.

Francisco Gonçalves Bahia (Chiquinho) casou-se com Natividade Alves Vianna, neta de Joaquina Cândida de Souza Vianna. Portanto, houve aqui um segundo entrelaçamento das famílias Gonçalves Bahia e Souza Vianna. Deste casamento nasceram José Alves Bahia, Ana Lúcia e Marta, que também eram muito amigos de Mária Bahia Vianna. José casou-se com Maria José Rodrigues Barbosa, que ficou conhecida na família como Zezé Bahia ao receber o sobrenome do marido.

joaquim_e_francisco_bahia

Joviniano Gonçalves Bahia (Jovi) tinha problemas de visão e não se casou. Consta que faleceu de barriga d’agua (cirrose) sem nunca ter bebido.

jovi_bahia

Leopoldo Gonçalves Bahia casou-se com Cristina Castro Capanema e, ao ficar viúvo, com Olívia Gontijo. Do primeiro casamento, nasceram Nanci e Altiva, além de dois rapazes. Nanci era afilhada de Miloca. As duas permaneceram solteiras e uma cuidava da outra. Eram muito religiosas, e sempre rezavam muito por todos da família. No quintal da casa onde moravam havia pés de cidra e as irmãs gostavam de preparar doces de compota que serviam com ambrosia para as visitas.

José Josias Gonçalves Bahia (Jusa) casou-se com Palmira Meireles. Moravam em Sete Lagoas. Dentre seus filhos estava José Meireles Bahia, o Zé Bahia, dentista e muito amigo de Elísio Bahia Vianna. Os dois primos fizeram muitos passeios memoráveis, quando Elísio vinha a Pedro Leopoldo visitar a mãe Miloca.

Família de Jusa Bahia e Palmira Meireles

Os Pais

Cândido Gonçalves dos Reis era filho de Domingos Gonçalves dos Reis e Antônia Maria Madalena. Teria nascido em 1835. Nas palavras de Rodrigo de Vasconcelos, em e-mail: “Como já disse à prima Mária, no meu ramo da família, contam que Cândido conheceu Donana, sua segunda esposa, quando, já viúvo de Ana Rosa Rodrigues, foi chamado ao cartório de Pitangui para a abertura do inventário do seu sogro, o Pe. (sim, padre!) João Félix Rodrigues Galvão. No cartório, encontrou Donana, filha do tabelião.” Este tabelião era Manoel Bahia da Rocha Júnior, casado com Porcina de Araújo da Cunha Alvarenga, pais de Anna Alvarenga Bahia.

Anna Alvarenga Bahia (Don'Anna)

Cândido teria herdado da primeira esposa, Ana Rosa Rodrigues, a fazenda da Cachoeira de Cima em Maravilhas, Pitangui, MG (hoje, município de Pequi). Essas terras eram todas do arraial de São Joanico, fundado por José Aniceto Rodrigues, tio paterno de Ana Rosa [2]. Foi lá que Miloca passou a infância (não confundir com a Fazenda da Cachoeira Grande, em Pedro Leopoldo). Quando Cândido faleceu, em 1895, Miloca tinha apenas seis anos de idade, mas seus meio-irmãos já tinham mais de 25 anos. Na partilha, os irmãos Gonçalves dos Reis ficaram com a administração da fazenda, herança da mãe. Por sua vez, Don’Anna mudou-se de Pitangui para Pedro Leopoldo, onde vivia sua filha Elisa. Com a parte que lhe coube da herança do marido ou do pai, Don’Anna comprou uma chácara em Pedro Leopoldo. Um desenho representando a cidade nos anos 30 mostra sua localização. A casa foi construída com frente para a Rua Ferreira Mello (mais tarde Rua Comendador Antônio Alves) e o terreno se estendia até as margens do Ribeirão da Mata, tendo sido desmembrado mais tarde, para construção da Rodoviária e do Clube Social de Pedro Leopoldo (conforme relatos de Miloca). Don’Anna teria criado o primeiro cinema de Pedro Leopoldo, num galpão em meia-água, sem fachada. Na bilheteria trabalhava Genoveva, irmã de Don’Anna. Mais tarde, foi criado o Cine Otoni, que ficava de frente para a Rua Dr. Herbster.

chacara_donanna

Avós, Bisavós e Outros Parentes

Dos ascendentes de Cândido, sabe-se pouco além dos seus nomes. Os pais de Domingos Gonçalves dos Reis chamavam-se João Gonçalves dos Reis e Ana da Silva. De Antonia Maria Madalena, só temos mesmo o nome. Do lado materno, os avós de Miloca eram Manoel e Porcina.

O avô materno de Miloca, Manoel Bahia da Rocha Junior, era cartoriante em Pitangui. Sua família era de Braga, Portugal, e veio para o Brasil no ciclo da mineração. O sobrenome Bahia surgiu através do seu ancestral Domingos Soares Bahia, que passou aos descendentes o toponímico, dando origem aos Bahia da Rocha. Os pais de Manoel eram Manoel Bahia da Anunciação (da Rocha), nascido em 1789 em Pitangui, e Genoveva Maria Clara, nascida em 1802, também em Pitangui.

manoel_b_rocha

A genealogia dos Bahia da Rocha foi discutida em um Forum do site geneall.net [3]. Infelizmente, as informações neste site só estão disponíveis para membros inscritos. O Forum cita o inventário de Manoel Bahia da Anunciação, falecido em 17 de Novembro de 1855. Este inventário estaria disponível no Arquivo Judiciário de Pitangui, MG. Com a ajuda de Rodrigo Vasconcelos, obtivemos um assento de batismo de Francisco Bahia da Rocha, filho de Domingos Soares Bahia, datado de 1665 ([6] livro 1653-1692, Braga,Vieira do Minho,Guilhofrei,São Tiago). É um dos documentos mais antigos que encontramos sobre a família até o momento.

Assento de Batismo de Francisco Bahia da Rocha

Assento de Batismo de Francisco Bahia da Rocha

“Aos oito de Novembro de mil seiscentos e seçenta e sinco annos. Eu Osvaldo Francisco da Costa Reitor em esta Igreja de São Tiago de Guilhofrey Baptizei a Francisco filho legítimo de Domingos Soarez Bahia, e de Mariana da Rocha moradores no lugar de Requeixada desta Freguezia. forão padrinhos o Rv. p e Francisco Rebello do lugar de Seleiro; E por verdade fiz este termo dia ?? supra. Reitor Francisco da Costa”

Manoel Bahia da Rocha consta em uma lista de eleitores de 1857 juntamente com seu irmão, Francisco Bahia da Rocha, nascido em 1826, o Major Bahia, que foi figura política importante em Pitangui. Na lista, Francisco ainda está no posto de Alferes. É atribuído a Manoel o posto de Capitão, o que faria mais sentido em relação a seu pai. No entanto, Manoel Bahia da Anunciação falecera cerca de dois anos antes. Além de Manoel e Francisco, são listados também Francisco Tiburcio e Antonio Pedro Bahia da Rocha, mas não conseguimos determinar o grau de parentesco destes com os dois primeiros.

Fragmento do Correio de Minas de 1857

A avó materna de Miloca, Porcina de Araújo da Cunha Alvarenga, era filha do Sargento Mor Ignácio Joaquim Araújo da Cunha Alvarenga e Maria Felisberta da Silva – a Maria Tangará. Do testamento de Maria Tangará, transcrito mais adiante, pode-se inferir que em Novembro de 1836 Porcina ainda era solteira, pois não há menção de um marido ou dote no dito testamento. Por outro lado, há um assento de batismo de um filho de Porcina em 1839. Teria ela, portanto, se casado pouco tempo depois do falecimento da mãe. De Maria Felisberta, Porcina herdou os escravos Joaquina Conga, Victoria, Rita Mullata e Luis Moçambique, além de duas éguas, um cavalo e quatro vacas. Coube-lhe ainda parte do restante da repartição da terça (um terço da herança, de que o testador podia dispor como desejasse), dividida com as duas irmãs, Delfina e Matildes.

pulsina_c_alvarenga

Em 1839, nasceu um filho de Manoel e Porcina, possivelmente o primogênito, já que foi batizado com o nome do pai. Os padrinhos foram os avós – Manoel Bahia da Anunciação e Ignácio Joaquim da Cunha Alvarenga. Houve pelo menos mais oito filhos: Genoveva, João, Ignácio, Thereza, Inhá (apelido),  Francisco, José e Anna (a Don’Anna, minha bisavó). Os rapazes passaram a usar o sobrenome do pai – Bahia da Rocha. As moças receberam o Alvarenga ou o Cunha da mãe e o Bahia do pai. Thereza e Genoveva não se casaram.

Batismo de Manoel, filho de Manoel Bahia da Rocha e Porcina [15] livro 1828/1843 fl.170 Pitangui, MG (guardado na igreja de Divinópolis)

Batismo de Manoel, filho de Manoel Bahia da Rocha e Porcina [15]
livro 1828/1843 fl.170 Pitangui, MG (guardado na igreja de Divinópolis)

“Aos oito de Abril de mil oitocentos e trinta e nove o Reverendo Antônio Gregório ??? baptizou e pôs os Sanctos Óleos a Maria innocente digo Manoel innocente filho legítimo de Manoel Bahia da Rocha Júnior e D. Porcina de Araújo da Cunha; Forão Padrinhos o Sargento Mor Ignácio Joaquim da Cunha ??? e o Tenente Manoel Bahia da Anunciação para constar fiz este assento que assignei. O Vigário Belchior Pinheiro de Oliveira.”

Há bastante informação na literatura e documentação histórica sobre Ignácio Joaquim e Maria Felisberta. O casal teria vindo de Sabará, de onde seriam suas famílias. Em seu livro sobre Dona Joaquina do Pompéu – Sinhá Braba, Agripa Vasconcelos traça o perfil de Maria Felisberta como inimiga de Joaquina, praticante de rituais de magia e de muitos maus tratos aos escravos. Tenho notícia de um livro entitulado “Uma dama esquecida e injustiçada”, escrito pelo Dr. Tasso Lacerda Machado sobre a história e a descendência de Maria Tangará. Pelo título, se vê que o autor tenta desmitificar a personagem. Sem acesso a dados fidedignos que confirmem ou desmintam os feitos de Maria Felisberta, nos limitamos aqui a descrever fatos comprovados por documentos.

Dois imóveis pertencentes ao casal sobreviveram ao tempo. A Fazenda Ponte Alta, que em meados do século XIX já havia passado às mãos do português Mathias José de Souza Lobato; e um casarão no centro de Pitangui, transferido para a prefeitura em 1891 por doação de Beralda Celestiana Teixeira de Azevedo e seu marido Comendador José Maria Teixeira de Azevedo hoje transformada em Escola Estadual. Beralda, nascida em 1836, era filha de Basílio de Araújo da Cunha Alvarenga, e, portanto, neta de Inácio Joaquim e Maria Felisberta. A posição do casarão, próximo à igreja, é sinal da importância da família na época em que foi construído, em fins do século XVIII.

Casa de Maria Tangará em Pitangui

Casa de Maria Tangará em Pitangui – Escola Estadual Professor José Valadares

Um documento importante é a transcrição do testamento de Maria Felisberta da Silva (Maria Tangará), gentilmente fornecida por Rodrigo Figueiredo de Vasconcelos (infelizmente, não temos a imagem original):

“In nomine Domini Amen
Eu D. Maria Felisberta da S.a. achandome gravemente inferma; mas em meu perfeito juízo e entendimento temendome da morte quero fazer disposições de minha ultima vontade. Sou catholica Romana em cuja fé sempre vivi, e protesto morrer. Sou natural da Freg.a. de Congonhas de Sabará filha legitima de Miguel Gonçalves Palmeira e D. Anna Tereza da S.a. ambos falecidos; dos quaes inda não recebi erança alg~ua. Sou cazada com o S. Mor Ignacio Joaquim da Cunha, e deste consorsio temos nove filhos, Delfina – Ildefonço – Pulqueria – Gomes – Lino – Bazilio – Matildes – Porcina e Balbina já falecida que foi cazada com o Alf.s. Firmianno Alz. De Sz.a. de quem ficarão quatro filhos – João – Maria – Cicilia e Ignacio que a representão, aos quais todos instituos erdeiros nas duas partes de meus bens, os quais são nove erdeiros. Disponho de minha terça na forma seg.te. Instituo por meus Testamenteiros em pr.o Lugar a meu marido o S. Mor Ignacio Joaquim da Cunha, em segundo lugar a meu filho o Cap.m. Ildifonço – em terceiro lugar a meu filho o Alferes Bazilio – lhes concedo doze annos para as Contas. O funeral quero sem pompa alguma a elleição do meu testamenteiro no habito de S. Francisco q. sou Irmã. So quero por minha alma hu oitavario de Missas pelos Padres da Frg.a. e que commodamente se ajuntarem de qualquer outra Freguezia. O que dei, a meu marido e minha filha Balbina forão dous escravos de que lhe passamos papel. Casemos nossa filha Pulqueria com Fernando X.er. Rabello, a quem nada demos de dote, e passados tempos lhe demos para servir hua escrava de nome Lusia para usufruir som.te. Dou a meu filho Lino de minha terça por m.to. bem que me tem servido o crioulo Rufino, e a negra Tereza, e trezentos mil reis em dinheiro, ou no que elle escolher de bens. Dou de minha terça a minha filha Delfina pelo m.to. bem que me tem servido e acompanhado a escrava Luiza cabra e sua filha Felicidade, a mulata Antonia com hua filha de nome Narciza, e o negro André. Dou a minha filha Matildes de minha terça a crioula Ignacia, e o marido Felippe, a crioulinha Maria. Dou a minha filha Porcina de minha terça Joaquina Conga, Victoria esc.a. e Rita Mullata, Luis Moçambique. Declaro que dou mais o negro Jacintho Mina para minha filha Matildes. Deixo hu Cavallo de sella a escolha de minha filha Delfina para ella com meu sellim, arreios e estribos de prata, e para Matildes duas Egoas, quatro vacas, hu Cavallo. E para Porcinaduas Egoas, hu Cavallo e quatro vacas. E para a Delfina duas Egoas e oito vacas. Deixo a meu filho o Cap.m. Ildefonço quatro centos mil reis, hua Egoa, e quatro vacas. Deixo a minha filha Pulqueria quatro centos mil reis, hu potro, e duas vacas. Deixo a meu filho o Alf.s. Bazilio duzentos mil reis. Deixo a meu filho o Ten.te. Gomes duzentos mil reis, e lhe perdôo o que elle me dever. Deixo a cada hua de minhas netas Maria Salomé e Cicilia cem mil reis, que poparão a seus dous Irmãos João e Ignacio não tendo ellas tido filhos, e esta quantia lhes será dada por meu Testamenteiro logo q. tomarem estado. Declaro que meu neto João se quizer ordenar o meu Testamenteiro lhe fará o patrimônio a custa de minha terça , e elle se não ordenar, e vivo o Ignacio a este se fará o patrimônio, e não a aquelle. Deixo a meu marido o S. Mor Ignacio Joaq.m da Cunha Silveria e seu marido Leandro, Maria da S.a., Joanna esc.a. Manoel Congo, Jeronimo esc.o. M.el. esc.o. Deixo de premio a meu Testamenteiro duzentos mil reis por seu trabalho e q. nos dose annos não possa concluir lhe concede mais trez. Quando haja remanecente de minha terça deixo se repartão igualm.te. por minhas trez filhas Delfina, Matildes ePorcina. E por esta forma fis minha ultima vontade e disposição testamentária por acabado, e pesso as Justiças de S.M.I. Rei de inteiro vigor, e mandem
cumprir e guardar como nella se contem, e vai escrito a meu rogo por Fran.co Fulgencio d´Oliv.a. que por mim somente assignado hoje Pitangui 27 de 9br.o. de 1836 (a) Maria Felisberda da S.a.
Termo de aprovação em 27/11/1836 assinado pelo segundo tabelião Joaquim Felizardo da Fonseca, Maria Felisberta da S.a., Fran.co. Fulgencio d´Olivr.a., Fran.co. Per.a. Guim.ães, Antônio Caentano da Fon.ca, Joze Julio Corgozinho, João Evangelista d´Olivr.a.
Aos vinte e seis de Janeiro de 1837 me foi aprezentado este Testam.to. cozido e lacrado como no rotulo se declara, e não achando nelle duvida faça mando q. se cumpra e registre. Pitangui 26 de Janeiro de 1837
Termo de aceitação do 1º Testamenteiro assinado por Ignacio Joaqm. Da Cunha aos 26/01/1837″

Compilando os valores testados, temos na terça cerca de vinte e cinco escravos, trinta e três animais, entre cavalos e vacas, e menos de dois contos de Réis em dinheiro. Comparados com os valores no inventário de Joaquina do Pompéu, de 1824 (centenas de milhares de alqueires de terras, dezenas de milhares de animais e perto de mil escravos), estes valores são bastante modestos. Para efeito de conversões, em 1840, um escravo valia em torno de 350 mil Réis, e em 1860 um quilograma de ouro valia cerca de um conto de Réis, que também era o preço de um escravo. Em 1824, época do inventário de Joaquina do Pompéu, uma vaca valia cerca de oito mil réis.

Note-se também que Maria Felisberta se declara Católica e pede para ser sepultada se pompas, com o hábito de São Francisco, a cuja irmandade pertencia.

Não temos o inventário de Ignacio Joaquim, que poderia esclarecer sobre os bens imóveis, não citados no inventário de Maria Felisberta, provavelmente por estarem em nome do marido.

Ignacio Joaquim de Araújo da Cunha Alvarenga era filho de José de Araújo da Cunha, nascido em 1718 em Braga, Portugal, e Úrsula Maria de Alvarenga, nascida em 1730 em Sabará, MG. Encontramos assentos de batismo dos seus irmãos, o primogênito José, em 1759 e Manoel em 1768. Os dois irmãos chegaram ao posto de Capitão Mor. Ignacio chegou a Sargento Mor. Conta-se que o apelido de Maria Tangará se devia ao barrete vermelho usado pelos cunhados. Um filho de Manoel de Araújo da Cunha Alvarenga com Mariana Clara Viana, e, portanto, sobrinho de Ignacio, recebeu o título de Marquês de Sapucaí por ter sido tutor do Imperador. Seu nome era Cândido José de Araújo Viana.

A ascendência dos Bahia da Rocha e a dos Cunha Alvarenga se estendem por muitas gerações. Acompanha este artigo um outro com informações genealógicas que abrange em mais detalhes a ramificação das famílias.

João A.M. Bahia Vianna
Julho/2015

Correção em Setembro/2015 – Mais três filhos de Porcina e Manoel Bahia da Rocha

Fontes:

[2] - Pesquisas: Rodrigo Vasconcelos
 VASCONCELOS, Rodrigo Figueiredo de
 e-mails e Internet
[3] - Nobreza Brasileira de A a Z
 Geneall.net
 www.geneall.net
[6] - Web Site: Family Search
 Igreja dos Santos dos Últimos Dias
 familysearch.org
[15] - Batismos na Igreja
 Igreja Católica
[16] - Registro Civil: Brasil
 República Federativa do Brasil
 certidões e registros de identidade
[21] - Web Site: Geneaminas
 Geneaminas
 www.geneaminas.com.br
[22] - Notas Pessoais: Mário Vianna
 VIANNA, Mário da Conceição
[23] - Notas Pessoais: Miloca
 BAHIA, Maria Emília Gonçalves
[24] - Internet: Pesquisas Avulsas
[28] - Matrículas: Caraça, 1881 a 1909
 Seminário do Caraça
[29] - Relatos: Elísio Bahia e Irmãos
 VIANNA, Elísio Bahia e irmãos
[41] - Relatos: Mária Vianna Mello
 MELLO, Mária Vianna de
[49] - Livro: Sinhá Braba - Dona Joaquina do Pompéu
 VASCONCELOS, Agripa
[52] - Livro: Pedro Leopoldo vista por Chico Xavier
 LEMOS Neto, Geraldo   e   LEÃO, Geraldo
Anúncios

3 pensamentos sobre “A Família de Miloca

  1. Pingback: Os Bahia da Rocha em Bambuí | Família Bahia Vianna

  2. Sou bisneta de José Bahia da Rocha Filho e neta de Afonso, nascido em Corrego Danta e conhecido pelo apelido “Di”.
    Fiquei fascinada com a riqueza de detalhes e muito feliz ao conhecer nossos antepassados! Saber quem nos precedeu traz uma reafirmação de quem nós somos, por isso agradeço imensamente por compartilhar sua pesquisa! Sempre ansiei muito por conhecer um pouco mais da história da nossa família! Grande Abraço!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s